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A viagem ao auto-conhecimento pode ser, deveras, arrepiante.
Descobrem-se espécies jamais vistas pelos homens pequenos.
Descobrem-se demônios terríveis vivendo dentro de nós.
Drenando as forças, os fôlegos, os suspiros.
E depois de ver seus piores monstros face a face
Você se perguntará "Quem sou seu? O que é realidade?
Perdido na sua própria escuridão,
Vai questionar-se se não foi uma boa pessoa.
Se é merecedor do paraíso.
Vai enlouquecer, tentar acabar consigo mesmo.
Por ponto final nO Todo.
Zerar.
Mas se num rolar de dados,
Oh sim, num outro rolar de dados
Os números pares vierem para cima
E tudo pudesse ser diferente.
E as escolhas fossem outras
E as consequências...
É, essa viagem em direção a si é mesmo alucinante.
Sábios são os que voltam de lá sãos.
Sãos?
De verdade?
Não, algo muda no processo.
Eles voltam ocos.
Mas alguns voltam iluminados.
No gelado me mantenho vivo.
Contra a nevasca, continuo passo a passo
Em breve as coisas vão parar de fazer sentido.
E você se perguntará "Quem sou eu?"
Desconhecido de si
Sozinho.
Eu já experimentei o zero absoluto.
Ele deixa marcas. Ele pisa em seus sorrisos.
Ele te transforma em um robô.
É o vazio.
Como continuar nesta ventania se já não tenho meus próprios pés?
Eles nos deixam.
Correm. Como crianças assustadas.
Como continuar perante à falta de sentido?
As coisas ficaram coloridas outra vez...
Mas espere!
Existe algo oculto em toda essa chuva de cores.
Um profecia.
Algo que diz numa voz baixa e certeira:
desista!
Como se uma pegajosa teia de aranha me houvesse capturado.
E continuava:
Isso tudo acaba aqui!
Eu vejo gente se debatendo no escuro.
Eles estão desesperados pra sentir.
Sentir como reis. Sentir como os artistas.
Sentir de verdade.
Eles se debatem, e gritam.
Fazem toda a macaquice.
Eles se pintam. Se drogam. Mentem para si mesmos.
Mas quando alguém no escuro acha um diamante.
Aí eles mostram sua verdadeira identidade.
Eles se destroem, se matam.
Por um pedacinho de luz.
Um fragmento.
Eu vejo gente se debatendo no escuro.
Desesperados para sentir.
Sentir o calor.
Silêncio
Aqui o tempo passa de maneira estranha
Tal como a grotesca aranha,
Que, calma, tece uma teia.
É como um relógio de areias,
Escorrendo todo meu sangue.
O sangue das minhas veias.
Tal como a grotesca aranha,
Que, calma, tece uma teia.
É como um relógio de areias,
Escorrendo todo meu sangue.
O sangue das minhas veias.
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